Reproduzo a necrolóxica que publica a revista portuguesa Periférica:

A PERIFÉRICA VAI ACABAR

Não adianta carpir, porque é decisão madura, colectiva, irreversível. E é também a decisão certa. Permitam-nos o nosso momento de humildade: o patamar que a revista atingiu, a visibilidade, o grau de exigência juntam-se num perfil para o qual já só com muito esforço estamos à altura. Fazer uma boa Periférica exige talento, tempo, dedicação, atenção, treino — uma redacção em forma e altamente disponível. De todos requisitos apenas nos sobra o talento. Mas é, cada vez mais, um talento destreinado, com um quotidiano avesso, a olhar noutras direcções. De resto, desde o início dissemos que não ficaríamos para sempre, que faríamos o que nos apetecesse. E o que nos apetece é acabar com a revista. Sem mágoa, nem nostalgia. Sem lamentos, nem acusações. Ninguém tem culpa do fim da Periférica — apenas nós e a nossa vontade de voltar a mudar de vida. A Periférica é só o nosso segundo projecto. Sairá em Janeiro, para não estragar o Natal (o nosso). Não queremos que a última edição seja um presente do bonacheirão Pai Natal. Preferimos vê-la como uma prenda de sábios, de reis. Mesmo que saia um pouco depois do dia deles (a distribuição não seria mais lenta se fosse feita em camelos). Não será um número revivalista, carregado de epitáfios laudatórios (tirando, talvez, o necessário editorial de autocomprazimento). Se for um número invulgar, será por alguma súbita inspiração de génio que nos acometa. Mas estamos disponíveis para propostas de colaboração de última hora — assim como assim, já rejeitámos tanto entulho nestes três anos que nem daremos pela diferença. Vamos lá fazer história.